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Domingo.....último Dia de Cavalgada!
Após realizarmos o programa Galpão do Nativismo, Ilo Curcino, Dorotéo Fagundes, Enon Cardoso, Airton Ortiz, Carijó e eu,retornamos de auto (como se chamam os carros aqui na fronteira) aos bretes do Alegrete, para encontrar os cavaleiros que pernoitaram na Fazenda Mato Alto.
Em marcha voltamos novamente ao Alegrete, só que desta vez a cavalo. Ali os Cavaleiros Farroupilhas adentram mais uma vez na Hípica do 6º Regimento de Cavalaria Blindada José de Abreu.
Após as homenagens e entrega dos diplomas de participação, tomamos um café reforçado já na boca da noite, que vinha com mais chuva forte.
Embarcamos no ônibus do ICF ( Instituto Cavaleiros Farroupilhas), pilotado pelo exímio motorista Claudemir, que nos conduziu até Eldorado do Sul.
A chuva caía forte às 3h da madrugada na grande Porto Alegre, quando os cavaleiros despediram-se com o orgulho de taura... e saudosos foram a suas residências encontrar suas famílias.
Consegui chegar em casa perto das quatro da matina. Com saudades abracei e beijei esposa e o filho. Deitei junto do João Vicente (meu filho de dois anos) que ocupava o meu lugar na cama, ele me abraçou de tal forma e tempo que neste instante minha mente se aprofundou na saudade. E juntos percorremos todos os lugares que eu havia feito a cavalo. Neste momento percebi, "que a História e os Cavalos lá fora batem o capim e o Farroupilha de hoje percebe que não tem fim."
Para o próximo ano (2011) a carreira, digo, a cavalgada ficou atada com o compromisso de transportarmos os restos mortais do General José de Abreu, que estão no Uruguai, até o Alegrete.
Vai ser lindo...como costumeiramente são, todas as Cavalgadas dos Cavaleiros Farroupilhas que a dezoito anos percorrem trajetos históricos, vividos por heróis que formaram a chão e o ser gaúcho. Cavalgadas que homenagearam por exemplo: Getúlio Vargas, quando cavalgamos da Estância do Itu até o Itaqui e Sepé Tiaraju, em trajeto realizado de São Gabriel a Pedra do Segredo, na velha Caçapava do Sul, ambas com palestras inesquecíveis do historiador Alcy Cheuiche. Outro trajeto inesquecível foi do Alegrete a Rosário do Sul, via Serra do Caverá, em homenagem ao Leão Honório Lemes, conhecido também como o tropeiro da liberdade.
Todas as cavalgadas tem as suas particularidades reveladas na história que colhemos e vivemos, bem como a vasta e bela diversidade geográfica que nos oferece o Estado do Rio Grande do Sul, principalmente quando se cavalga vinte e seis dias ininterruptos... tempo requerido para percorrermos os 1.007 km que separam Uruguaiana (Fronteira Oeste - Campanha) de Osório no Litoral Leste.Esta cavalgada foi realizado em 2007, juntamente com o Exército Brasileiro, em Homenagem ao Marechal Osório. Na ocasião passamos por Quarai, Santana do Livramento, Dom Pedrito, Bagé, Lavras do Sul, Caçapava do Sul, Cachoeira do Sul, Rio Pardo, General Câmara, São Jerônimo, Charqueadas, Eldorado do Sul e finalmente Porto Alegre.
Só para lembrar, na ocasião da nossa chegada na cidade de Osório, fomos recepcionados pela mais alta cúpula do exército brasileiro e tivemos a honra de abrir o desfile. No palanque oficial, além dos militares da mais alta patente do exército, encontravam-se também autoridades civis e a nossa Governadora Yeda Cruzius. De quebra ponteamos a carga da Cavalaria... evento mais emocionante em marcha do Exército Brasileiro até então nunca executado por um grupo civil. É de arrepiar o pelo e rolar lágrimas dos homens mais rudes que possa existir! Tanto, que até no escrever me emociono...
Nestes anos todos, e particularmente na Cavalgada de Osório, enfrentamos sol, chuva, vento, calor e frio com geada pelo prazer do cavalgar, mas principalmente pelo amor cívico que a história nos conduz.
Encerro meus relatos deixando para os leitores a mensagem em forma de poesia, forjada com a cumplicidade do amigo cavalo.Gauchescamente - Renato.
UM NACO DE LIBERDADE
Renato Fagundes de Abreu
FLOR DE FLÉTE ESTA EGUADA
E TODAS DE PELO TORDILHO,
QUE SE APRUMAM AO FARROUPILHA
NA SENTADA DO LUMBILHO.
A ALMA DESTES CAVALOS
TRAZ OS CAMPOS COMO TRILHO;
DAS RÉDEAS EU FAÇO A MIRA,
DAS NAZARENAS O GATILHO.
CAVALO COM PROCEDÊNCIA
É CRIA LÁ DA FRONTEIRA.
QUE FAZ TROPILHA DAS BUENAS
DA PAIPASSO A PITANGUEIRA.
E UM FARROUPILHA MONTADO,
CALÇADO NA ESTRIBEIRA,
LEVA O MUNDO POR DIANTE
E NEM PRECISA ABRIR PORTEIRA.
NESTE CHÃO QUE É PURO CÉRNE
CRUZAM CAMPO, MATO E TORAS.
QUANDO AO TROTE UMA A UMA,
NEM PRECISA USAR ESPORAS,
BATENDO CASCOS NOS CAMPOS
E CORREDORES A FORA
COM ÂNSIA DE FARROUPILHA
BUSCANDO UMA NOVA AURORA.
TRAGO NA ALMA FARRAPA,
UM CORAÇÃO QUE RETRUCA.
NA CARNE COMO NA TERRA,
AS VERGAS DE VÁRIAS LUTAS.
CHORA A CARNE CANSADA,
AFAGA A TERRA BRUTA
E O FARROUPILHA DE HOJE,
TRAZ SEDE NA RECULUTA.
NESTE MUNDO QUE É DE TODOS,
ONDE CARECE A IGUALDADE,
O FARROUPILHA CARREGA
UM CORAÇAO DE VERDADE.
DEIXANDO EM CADA PALANQUE,
A LUZ DA HUMANIDADE
COM ESPÍRITO DE LUTA
E UM NACO DE LIBERDADE.
AO RETORNAR AOS GALPÕES,
SINTO O CHEIRO DE JASMIM
DA CHINA QUE SERVE O MATE,
COM SEUS OLHOS VIDRADOS EM MIM.
A HISTÓRIA E OS CAVALOS,
LÁ FORA BATE O CAPIM.
E O FARROUPILHA DE HOJE,
PERCEBE QUE NÃO TEM FIM.
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