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ORIGEM DOS TERNOS DE REIS E DO PAPAI NOEL.

A “Cantiga de Reses” é uma tradição comemorativa da visita dos Reis Magos quando do nascimento do Menino Jesus. Sua origem perde-se na poeira dos tempos. Se resguarda nos rincões mais afastados do nosso pago, onde a gente simples e boa não precisa apelar para nada mais que seus sentimentos cristãos, a fim de conseguirem beleza e alegria para a festa de Natal. É uma festividade alicerçada nos acontecimentos bíblicos da religião católica. Esta herança, que nos legaram os colonizadores portugueses, encontra-se não somente no Rio Grande do Sul, mas é comemorada em muitos outros Estados do Brasil, onde foi sofrendo modificações, ampliadas com motivos folclóricos particulares, conforme atestam trabalhos realizados pelos eminentes folcloristas: Crispim Mira, Morais Mello Filho, Achiles Porto Alegre, Camara Cascudo, Renato Almeida e tantos outros.
 
Embora as solenidades presenteiras do Ciclo Natalino se relacione, também, a São Nicola (bondoso São Clauss para os nórdicos europeus) da Igreja Católica, o elemento que hoje, nos núcleos citadinos mais centraliza as atenções do dia de Natal, é a figura profana do Papai Noel.
 
Este surgiu, em 1822, através de um famoso desenhista, Tomas Nast, que se inspirou em um poema de seu conterrâneo norte-americano Dr Clemente Clark Moore, catedrático de Teologia do Colégio Chelsea, de New York.
 
Tomas Nast criou a figura caricata do Papai Noel. Através de seu lápis, deu-lhe forma, traços e cores, restaurou a cor vermelha da roupa do velho Bispo Nicolau e acrescentou-lhe uma capa também rubra. Aproveitando os alvos peitilhos dos antigos bispos, o caricaturista aduziu ainda um gorro vermelho, que lembrava a mitra de clérigos remotos. Mais tarde, a roupagem de inverno, foi simplificada para um gibão e uma calça abombachada.
 
Não só a roupa de São Nicolau, de Mira, se norte americanizou, como perdeu seus símbolos litúrgicos e sua mensagem cristão, tornando-se uma figura meramente comercial.
 
A Própria expressão Papai Noel, segundo Geraldino Moreira, “é de origem inglesa – newell – isto é, novidade, boa nova. Esta palavra foi usada em uma canção popular do Dia do Natal. Os franceses copiaram a canção e converteram o termo para Noel, isto é, Dia de Natal, do provençal nadal, que se origina do latim natalem”.
 
Na região rural-campestre do interior do Rio Grande do Sul – e mesmo nas cidades maiores do nosso Estado – a figura caricata e profana com o nome de Papai Noel, não era conhecida nas comunidades populares até 1914, segundo minhas pesquisas literárias, religiosas, e mesmo de caráter jornalístico.
 
Até então, a família gaúcha pastoril, louvava o nascimento de Jesus Menino, com orações, no presépio; cantava Terno de Reis, saboreava uma especial ceia e assim festejava o Natal na intimidade dos próprios membros da sua Santa-familia, com muita alegria, amor e paz, seguindo a tradição de origem açorita, e sem a escravidão obrigatória do presentear. E quanto da satisfação de presentes, correspondia a seis de janeiro, momento histórico das oferendas dos Reis Magos, e não no dia de Natal, como na comemoração atual...

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