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VISITA
 
 Em traços gerais, a visita dá-se á noite e da seguinte maneira: no terreiro da casa, tendo à frente o “Mestre” e o seu “Ajudante” seguido do “Contramestre” e se “Ajudante” e os respectivos instrumentos, o Terno se aproxima em silêncio e abre o peito. São os verbos de “saudação” ao dono da casa, solicitando permissão para cantar e, ao mesmo tempo, justificando-se de sua “chegada”.
 
Quando a visita se faz à luz do dia, avisa-se antes, para as devidas providências.
 
A residência visitada deve estar com portas e janelas fechadas. Daí segue-se um verdadeiro ritual, tanto do dono da casa como do Mestre e seus companheiros, que se traduz em versos adequados até o convite do proprietário, para entrarem em casa.
 
Exponho uma série de exemplos poéticos recolhido por mim (Paixão Côrtez), e que registram momentos de “chegada”, pela noite a dentro, ou da madrugada para o clarear...
 
CHEGADA.
 
Agora mesmo cheguemo
Na beira do seu terrero
Para tocá e cantá
Licença péço premero.
Meu senhor, dono da casa
Acordai, se estais dormindo
Venha ver a estrela D`alva
Que bonita esta surgindo
 
Agora mesmo cheguemos
Ô de casa nobre gente
Acordai se estás dormindo
E alegrai se estás doente
 
Este é o primeiro verso
Que nesta casa eu canto
Em nome de Deus começa
Padre, Filho, Espírito Santo
 
O Terno que aqui chegou
É Terno que sabe o tom
Canta pra rico e pra pobre
Canta pra ruim e pra bom
 
Meu senhor, dono da casa
Se escutar em ouvireis
Que dos lados do Oriente
São chegados os Três reis
 
Vimos lhes cantar os Reis
E também lhe visitar
Ô de casa, casa santa
Onde Deus venho habitar
 
Meu senhor, dono da casa
Nosso Terno está chegando
Vim trazer muita alegria
Que o senhor estava esperando
 
Meu senhor, dono da casa
Com sua devida licença
Vim saudar o Deus Menino
Nesta sua residência
 
Nosso Terno está cantando
Trazendo felicidade
“Inha” fica muito feliz
Por ver logo claridade.
 
 

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