Cyber Galpao

1º - Encontro Histórico Internacional  

Passos de Los Libres – Argentina – 27 / 09 / 2009.


GUARANI GUAZU.

 

Boa noite Historiadores, Professores, Antropólogos, Militares e demais autoridades, Civis, senhoras e senhores, Argentinos, Brasileiros, Paraguaios y Uruguayos.

 

­­_ Boa noite,

_ Buenas noches,

_ Mba´eichapa.

 

 O tema que nos une nas barrancas do rio Uruguai é por si só envolvente em vários aspectos, mas principalmente no que diz respeito aos aspectos Histórico, Social e Cultural quando debatemos os efeitos, da tecnologia e estratégias vividas numa época de bravos.

 

 Embora eu não seja um historiador formado e meus conhecimentos estarem longe disto, muito me honra participar deste encontro e da cumplicidade da História, ora usada para o esclarecimento em estudos que  buscam novos registros e horizontes em tempos de Paz.

 

 E quero de imediato parabenizar os organizadores deste evento.

 

 Pela coragem de trazer a tona o tema de relevância impar para este primeiro encontro Histórico Internacional especificamente sobre a Guerra do Paraguai a GUERRA GUAZU.

 

Guazu: Encontramos aqui um termo nativo da fala Guarani muito comum em nosso vocabulário, este esta etimologicamente dividido em dois termos.

 

             Gua: pronome nominal que indica a originalidade, a

                       Procedência ou a Natureza.

             Zu: refere-se ao numeral Mil ou milhão, que se tornou sinônimo

                     de Grandeza, Riqueza ou Poder.

 

 

 Porém os termos Guerra e Guaçu nos dizem bem mais do que isto!

 

 Vejam que a palavra Guerra tem a mesma definição e sentido tanto para o Espanhol como para o Português e o termo Azu ou Guazu do Guarani, complementa a união representando a Grandeza desta epopéia.

  

 Em todo o Mundo é comum encontrar palavras de dois idiomas, para formar uma expressão e até frases.

 

 Na América encontramos vários exemplos, porém chamo a atenção em específico o uso do JOPARA, expressão que define a mescla do idioma Guarani com o Espanhol.

 

 Esta combinação ou a mistura dos termos definida como JOPARA, firma a cumplicidade da união dos povos Europeus com os Nativos a partir de 1492 quando Colombo pisou na América.

 

 E é justamente este intercambio de idiomas que me traz aqui.

 

  A influência que este tal de idioma Guarani tem sobre o Espanhol e o Português e sobre os vários outros idiomas Nativos da América do Sul.

 

  E não por acaso, para nominar esta palestra escolhi os termos:

 

 Guarani Guaçu.

 

  No intuito proposital de chamar a atenção para a Grandeza desta fala que desconhece alambrados, porteiras, tramelas e muito menos fronteiras, sobrepondo-se as montanhas, aos rios, aos desertos, aos vales e a própria Pampa.

 

 Pois o Idioma Guarani, esta no canto do Urutau ou serpenteando os rios que alimentam o aqüífero Guarani.

 

 E se faz viva quando em Paz, ou mesmo quando uma boleadeira corta o vento.

 

 Ou sobre uma carga de cavalaria, ou ainda sobre um tendal de balaços, canhonaços, ou no aço de uma baioneta, espada ou adaga de bom corte.

 

 Mas o Idioma, a Fala Guarani se faz viva, principalmente no sangue que regou o palco das varias Guerras de infindáveis batalhas.

 

 Pois o papel da fala Guarani a centenas de anos, naturalmente vem no contraponto dos ideais políticos e militares, se fazendo presente em todos os momentos, dês de a assinatura de acordos além mar, até as vísceras de heróis anônimos sucumbidas neste chão.

 

 Semeada a mais de três mil anos, presente na vida de cada ser movente deste Continente e através do Takuapi, sorvida num largo trago de mate erguendo heróis em todo o continente.

 

 Inclusive nos dias atuais, pois todos estamos influenciados e envolvidos nesta mescla que conduz a comunicação de argentinos, brasileiros, paraguaios, uruguaios, bolivianos, peruanos, chilenos e outros tantos povos sulinos.

 

 E comigo não poderia ser diferente, eu que sou cria aqui do Imbaá, na zona Rural de Uruguaiana, da onde a vinte e sete anos parti levando comigo o cheiro da terra, do mato ou do rio e levei até mesmo o canto dos pássaros.

 

E não rara às vezes ouço um Tahã a me fazer parelha, postado na ventana de um apartamento qualquer em Porto Alegre.

 

 Aquerenciado todos estes anos na Capital dos Gaúchos brasileiros, nos últimos sete anos com muito gosto venho paleteando o irmão Dorotéo Fagundes no programa Galpão do Nativismo, transmitido ao vivo pela rádio Gaúcha AM 600, todos os domingos das 06:00 as 09:00 da manha.

 

 Foi justamente no Galpão do Nativismo, onde criamos o quadro: A Resposta da Pergunta.

            

 E entre outras atividades é de minha responsabilidade pesquisar

 e responder a origem destas sugestões.

 

 Entre as palavras que perguntamos para os ouvintes responderem, a sua maioria é de origem Guarani. Justamente com o propósito de evidenciar a herança lingüística eternizada no Brasil e na América como um todo.

 

 A partir daí tenho direcionado minhas atenções bibliográficas á pesquisas sobre o Idioma Guarani, em obras que busco na Argentina, Uruguai, Paraguai e Brasil, no intuito de aguçar o conhecimento específico desta fala, no que diz respeito as suas influências ante os ciclos de sua existência.

 

 Do material literário que chegam a mim, os que mais tenho afinidade além dos Dicionários, são os livros que revelam a nossa história, principalmente os da Guerra do Paraguai.

 

 “Apesar dos diversos autores e interpretações”, dirijo minhas atenções para a gama de palavras Guaranis propagadas também através desta Guerra.

 

 Este envolvimento lingüístico me levou a criar em Porto Alegre em Maio de 2005, o Grupo de Estudos Culturais Guarani, quando desde então Coordeno o grupo junto do professor Jorge Ramon Duarte Ortiz.

 

 O professor Jorge é natural de Ypacaray - Paraguay, tri-lingue; Guarani, Espanhol e Português também radicado em Porto Alegre.

 

  Grande parceiro e amigo de infindáveis madrugadas de estudos.

 

 Pois o Grupo de Estudos Culturais Guarani têm por objetivo evidenciar

o Vocabulário dos termos Guarani acoplado em nosso dia-a-dia, respeitando as derivações conforme a região.

 

 Ainda em Dezembro de 2005, o Grupo de Estudos Culturais Guarani recebeu honras de destaque inovador do ano, pela Revista Magazine VIP RS.

 

 Mais uma motivação para dar continuidade ao Grupo que Diploma a média de trinta alunos por ano em aulas de vinte horas.

 

Mas e a Guerra Açu ? a Guerra Grande.

 

 Esta sempre inflamará nossas veias de guerreiros nas lutas pela Liberdade  conquistada com sangue e suor.

 

 Porém a Paz como sempre, Socialmente vem com a miséria.

 

 A miséria que nos desafia a sobreviver e suprir interrogações, que passam de pai para filho de Espanhóis, Guaranis e Portugueses e se remodelam com o passar dos anos.

 

 Contudo, prego o único elemento que se fez presente em todas as trincheiras, em todos os campos de batalha, sem se importar com a bandeira, raça, ou as causas da guerra.

 

 Este elemento é sem duvida a Fala.

 Refiro-me a Fala Nativa Guarani, formada a três mil anos, a cinco mil anos talvez vem se fazendo eterna e presente no vocabulário da Argentina, Brasil, Paraguai e do Uruguai.

 

  Pois este idioma o Guarani, creio eu ser uma das causas desta e de muitas outras Guerras e mesmo mutilada há séculos, vem sustentando o Império Lingüístico lançado aos quatro ventos deste torrão irmanando povos mesmo antes de Cristo.

 

  Coisa que o Homem moderno não consegue, aja visto o próprio  MERCOSUL, e outras tentativas desastradas de união que se enredam nos interesses burocráticos de uma raça de gananciosos que INSISTEM em vender a honra Sul americana além mar.

 

  Honra esta ignorada pela ganância de uma minoria de políticos mal intencionados que ainda hoje comprometem o bem de Social e Cultural

dos povos deste chão.

  

 Infelizmente este também é um elemento que sobrou da Guerra.

 

 Senhoras e senhores, se realmente estamos com os nossos pensamentos elevados compreendendo a América do Sul em um único elemento como requer este encontro histórico, onde reúnem Civis e Militares dos Países que ainda hoje pagam pela Guerra.

 

 Convido-os a desamarrarem as idéias e com a simplicidade do coração encontrada no espírito do idioma Guarani, propagar não tão só mente a Paz, mas a união e eliminação de fronteiras Sociais e gozarmos de uma mesma Cultura lingüística.

  

 Todos nesta sala temos anseios de igualdade perante o Mundo, principalmente devido à imposição cultural externa que muitas vezes sucumbe ou desvirtua a Cultura Nata expressa em nossos costumes.

 

 Um povo sem cultura própria é povo com economia fraca.

 

 E não á outra maneira de crescer se não for pela a União.

 

 E a união que sugiro esta na Cultura da fala Nativa que usamos na América, principalmente a fala Guarani.

 

 A prova disto é justamente a Guerra do Paraguai, ou a Guerra Guazu, que ECONOMICAMENTE, estraçalhou argentinos, brasileiros, paraguaio e uruguaio em batalhas como a de:  Acosta Ñu, Avaí, Curupaiti ou a  Batalha de Curuzu entre outras tantas.

 

 O que estou querendo é só e unicamente mostrar a Grandeza e a importância Cultural do Idioma Guarani na América antes, durante e depois da Guerra Guaçu.

 

 Idioma este que levou sofrenaços em muitas outras guerras, dês de quando Colombo e Cabral pisaram na América, a fala Guarani sofreu um verdadeiro holocausto incontável de baixas, inclusive na Guerra do Paraguai.

 

_ No entanto o Idioma Guarani se mantém vivo e implacável no que se refere à UNIAO dos povos, através das milhares de palavras mescladas a outros idiomas nativos mas também ao Espanhol e ao Português.

 

 Por compreender que não á ganhadores em uma guerra, não me presto ao papel de apontar perdedores.

 

 Minha ancia é exaltar a escrita que se forjou nos anos, como aprendizado cultural especificamente da fala Guarani, que se faz presente em cada palmo da história deste chão. 

 

 Numa revolução mental percebi que apesar de todas as dificuldades e possibilidade de aniquilação.

 

 O Idioma Guarani embala os sonhos, ressuscita a ordem e mantém a Paz.

 

 Desde a praia de ITATA (terra de pedra ou pedra da terra) no oceano Pacífico, no Chile, até a praia de Aracaju (araçá: papagaio – ju: aférese de sayju: amarelo – no Brasil.

 

 Ou desde o Mar do Caribe, no Haiti: (voz guarani, com varias definições, uma destas refere-se a: ninho de montanhas), até a Tierra Del Fuego na Argentina.

 

 Esta simbologia geográfica representada por uma Cruz imaginária exposta sobre América do Sul, mostra a abrangência da Fala Guarani, desde o Oceano Pacífico até o Oceano Atlântico e desde o Mar do Caribe a Tierra Del Fuego, inclui-se aí parte da América Central.

 

 Caros amigos, o território demarcado compreende mais do que a metade do Continente Americano.

 Nos países que estão dentro desta marcação, onde não se fala o Idioma Guarani, certamente encontram-se fortes influências desta fala comprovada por estudiosos como Anselmo Jover Peralta, Antonio Guasch, Carlos Larréa, Padre Ruiz de Montoya, Alfredo Martínez, Diego Ortiz, Armando Teixeira Primo, Natália Krivoshein de Canese, Alejandro Pinochet, Feliciano Acosta Alcaraz, Moisés Bertoni entre muitos outros.  

 

 Pesquisa realizada pelo Grupo de Estudos Culturais Guarani em Junho de 2006, revela que para cada Cidadão brasileiro, estes usam naturalmente no mínimo quarenta palavras de Origem Guarani por dia sem buscar recursos literários.

 

 Na Argentina e no Uruguai este fenômeno não é diferente e provavelmente vai muito além destes números, encontramos aqui na província de Corrientes exemplos como: Japeju, Guaviraví, Mocoretá, Tapebicuá, Itati, Ituzaingo, Ita Ibaté, Caa cati, Tatacua, Tabay, Mbutucuja e outros.

 

 

E no Uruguai Regiões como as de: Guabiju, Itacumbu, Yucutuja, Cuñapiru,  Paisandú, Sarandi, Arerunguá, Tacuarembó, Casupá, Tupambaé, entre outras.

 

 Com exceção do Paraguai que teve a grata coragem de oficializar o Guarani como segundo idioma naturalmente obtém maior expansão.

 

 Por questões de abrangência confirmada também na prática vocal de muitos Países eu particularmente considero o Guarani o primeiro Idioma

ou o idioma Mãe do Meridiano.

 

 Sugiro que os países da Argentina, Brasil e Uruguai num gesto Etimológico de sanidade Cultural, copiem o ato corajoso do Paraguai, fazendo do Idioma Guarani não apenas um idioma protegido pelo tombamento da humanidade.

 

 Mas um idioma vivido e cultuado como os idiomas europeus são tratados aqui no Rio Grande do Sul, onde existem cidades que intitulam o Alemão ou o Italiano como o primeiro idioma, Português é o que menos se cultua.

 

 Nada contra o aprendizado de Idiomas estrangeiros, pois saber é preciso e eleva a mente humana.

 

 Mas tudo a favor do idioma Nato, pois a identificação cultural valoriza o seu povo e garante independência lingüística e Social. 

 Sem duvidas este gesto uma vez concluído, irá fomentar os estudos dentro de uma realidade Sócio-Cultural que já esta pronta e conseqüentemente revolucionará a Cultura da fala nativa na América, trazendo no mínimo ganhos Sociais para todos os Países em vários seguimentos.

 

 No turismo, por exemplo, nos municípios missioneiros ou nas regiões onde se sucederam as varias batalhas durante a Guerra da Tríplice Aliança.     

 

Pois não basta para ser livre

Ser Forte Aguerrido e Bravo.

Povo que não tem Cultura

Acaba por ser escravo.

         (Francisco Pinto da Fontoura)

 

 Outra pesquisa levou os alunos do Grupo de Estudos Culturais Guarani para dentro de um Supermercado em Porto Alegre.

                                               

 Em quinze minutos, esta revelou o uso do Idioma Guarani em mais de cinqüenta itens nominando produtos ou empresas.

 

 E pode-se comprovar também que o Idioma Guarani insistentemente é usado como sinônimo de riqueza por empresas na América do Sul e em todo o Mundo.

 

 Curiosidades: A empresa de Açúcar Guarani, criada na década de sessenta em São Paulo - Brasil, hoje passa a explorar o combustível alternativo extraído da cana de açúcar, porém sua sede esta na França.

 

 Uma das maiores casa bancaria da América do Sul tem como nome ITAU, ita refere-se a pedra e U, muito provavelmente é uma aférese de saiyu, referindo-se ao amarelo, dourado, como é o ouro.

 

 Uma das maiores refinadoras de combustíveis do Continente chama-se   Ipiranga, fundada na década de trinta em Uruguaiana, apostou na expressão real do significado da palavra Ipiranga vinda do Guarani.

Isyryranga: arroi de águas avermelhadas.

 

 A fala Guarani que usamos, apesar de fazer parte de um idioma não oficializado em grande parte do Continente, mesmo assim não perdeu a identidade e nem a modernidade e esta em ascensão eterna garantindo a imagem rica nativa deste chão, nominando até o que mais tem de moderno na sociedade Sul americana como, por exemplo, os Shoppings.

 

 Dos 393 shoppings existentes no Brasil, 120 tem nomes guarani:

 

 Entre estes estão: Aricanduva – Morumbi – Ibirapuera – Bangu – Manauara – Tatuapé – Catuaí – Manaiara – Iguatemi e outros.

 

 Realmente é uma língua viva e versátil.

 

 Dos 642 Estádios de Futebol existentes no Brasil, 243 tem nomes guaranis ou estão situados em municípios de mesma origem.

 

Exemplos: Canindé - Coaracy – Morumbi – Alto Araguaia MT. – Arena Guanabara - Araruama – Ibirapuera – Pacaembu e ainda o Maracanã:  refere-se a uma espécie de papagaio que faz muito barulho, existente na região onde foi construído o estádio, daí o nome sugerido pelos obreiros.

 

 Dos segmentos que citei, cada exemplo tem sua particularidade no que se refere o produto, empresa ou região e por questão de virtude natural estão atualizados e vão continuar assim.

 

 Porém a menina dos olhos do governo Lula e do Brasil, é a quantia de petróleo encontrados na camada pré-sal.

 

 Se forem realmente confirmadas as estimativas da quantidade de petróleo da camada pré-sal brasileira, o Brasil poderá se transformar em um dos maiores produtores e exportadores de petróleo e derivados do Mundo.

 

 Mas o que a camada pré-sal tem haver com o Guarani?

 

  Um dos campos de petróleo da camada pré-sal poderá produzir quatro bilhões de barris de óleo, este chama-se IARA: do Guarani, dona das águas.

 

 Porém o campo de maior produtividade deve oferecer Oito bilhões de barris de óleo e tem por título TUPI, palavra de origem Guarani referente às tribos que falam este dialeto.

 

 É a fala Guarani nas palavras Tupi e Iara, sustentando a Economia do País, através de sinônimos de riqueza e poder.

 

 Ainda na musica encontramos infindáveis conotações, expressões, ritmos, e títulos como, por exemplo, La Caú: do Guarani, a borracheira. A própria palavra chamamé: corredor, se faz presente em grande parte do continente

 

Assim é a fala Guarani de cada dia, e quanto mais pesquisarmos mais palavras Guaranis vamos encontrar no nosso vocabulário.

 

 Viva, Prudente, Moderna, Sábia e Exata.

 

 E se mantém como um Império Lingüístico presente no dia-a-dia de cada Cidadão Sul Americano em pleno século vinte e um.

 

  Nominando Rios, Peixes, Pássaros Árvores, Regiões, Cidades, Países, Palácios, Pessoas, Empresas, Produtos e tudo realmente tudo o que esta a nossa frente oriundo da natureza. E não encontramo-la em maior escala porque muitas das palavras originais que nominam a natureza foram substituídas por termos Espanhóis ou Português.         

 

 Por isso eu imploro que elevemos nossos pensamentos para que sejamos Grandes quão é o Idioma Guarani, que carinhosamente chamo de Guarani Guaçu, guardem bem este nome, pois em breve lançaremos o Dicionário Etimológico Guarani Guaçu.

 

 Guarani Guaçu por ser o único elemento VIVO que resistiu bravamente a todas as guerras.

 

  E no sorver de um mate (Ca`ay) vejo no verde da erva a ebulição viva, erguendo heróis como Sepé Tiaraju quando foi preciso enfrentar Portugueses e Espanhóis para firmar e confirmar que Esta Terra tem Dono.

 

 E como outrora, hoje o Idioma Guarani esta inserido em nós através dos espíritos reencarnados de todos os guerreiros do Continente.

 

 Propagando-nos como seres, eternos e vigentes e criando Cultura na moderna globalização.

 

  Podemos observar que os Guaranis não ergueram grandes construções ou impérios como fizeram os Maias, Astecas e Incas nativos estes de presença, conhecimento e tecnologia acentuada na América.

 

 Mesmo desconhecendo o alto grau evolutivo de seus conterrâneos, não creio que os Guaranis eram seminômades por acaso e prefiro não menos prezar a inteligente lógica desta história.

 

 Em saber da necessidade imprescindível da comunicação, era preciso e preferível optar pela propagação da Fala.

 

 Exerciam então o processo de ser seminômades, tanto que faziam visitas aos povos mais distantes, no intuito de controlar a expansão lingüística e Cultural nos usos e costumes fazendo-se eternos.

 

 Assim foi propagado este Império lingüístico, e mesmo sem a escrita oficializada como um todo, o idioma Guarani enfrenta todas as épocas pisando firme na terra.

 

 E quando vieram as Guerras, a Fala Guarani estava ali firme, resistindo cada palmo de pelea, cada golpe, cada estampido e balaços, resistiram além do encontro da cavalaria, a fome e a raiva impregnada nos seus irmãos os Homens que peleavam entre si.

 

 Mas quando estes os Homens pediam socorro, a Fala Guarani era toda assistente, oferecendo as águas dos rios como o Uruguai para lavar os ferimentos em quanto o sangue turvo se dissolvia.

 E para os casos de maiores cuidados existiam e existem as ervas curadoras como o Cambuí: Anti-hemorrágico ou um cha de cipó para curar as inflamaçoes internas, esta ali também o guarana que serve como estimulante físico encontra-se até mesmo o Guáco, este quando em fusao serve para curar um garrutilho.

 

 Assim é a Fala Guarani, simples e puramente natureza pronta, madura a espera de um complemento a altura.

 

 Mas o seu irmao o Homem de quando em vez perde a sintonia da pureza, dando o lugar para a ganância e consegue fazer grandes estragos no que de mais puro possui. 

 

 E para encerrar este apelo, faço uma homenagem aos Grandes Heróis de todas as bandeiras que morreram mesmo sem pisar um campo de batalha, e não foram poucos.

 

 Não por covardes, mas por entender que o Homem não pode matar o seu irmão e para se tornarem fortes, devem unir-se com a mesma força e inteligência que possui a Natureza da Fala Guarani.

 

Che aguijevete.

 

Grácias.

Meu muito obrigado.

 

 

Grupo de Estudos Culturasi Guarani.

    Renato Fagundes de Abreu.

             Coordenador.

    renatofabreu@hotmail.com

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